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Como Contar aos Seus Filhos Que Você Tem Câncer

Contar aos seus filhos que você tem câncer pode ser a conversa mais difícil da sua vida. Veja como fazê-la com honestidade, amor e cuidado.

De todas as coisas difíceis que o câncer pede de você, essa pode ser a mais difícil: sentar com seus filhos e dizer que está doente. Não um resfriado, não uma gripe, mas o tipo de doença que muda tudo. O pensamento de ver os rostos deles enquanto tentam entender pode ser mais aterrorizante do que qualquer coisa que seu médico tenha dito. Se você está lendo isso, provavelmente já está temendo essa hora. E esse temor é em si um ato de amor — significa que você se preocupa profundamente em protegê-los, mesmo quando a proteção não é mais totalmente possível.

As crianças precisam ouvir isso de você. Não de um irmão que ouviu uma ligação, não de um colega de escola cujo pai mencionou, e não do silêncio e da tensão que elas já estão percebendo, mesmo que você ache que está escondendo bem. As crianças são extraordinariamente perceptivas. Percebem as conversas sussurradas, os olhares preocupados, as mudanças na rotina. Quando sentem que algo está errado mas ninguém explica, a imaginação preenche a lacuna — e o que imaginam quase sempre é pior que a verdade.

Mantenha simples e honesto. Você não precisa explicar os detalhes médicos do diagnóstico. Precisa dar a eles uma base que pareça segura. Para crianças mais novas, pode soar assim: "Descobri que tenho uma doença chamada câncer. Os médicos vão me dar um remédio forte para ajudar a combater. Eu posso ficar cansado às vezes, e as coisas em casa podem ser um pouco diferentes por um tempo. Mas eu amo vocês, e vamos passar por isso juntos." Para filhos mais velhos e adolescentes, você pode compartilhar mais detalhes, mas deixe as perguntas deles guiarem a profundidade.

Escolha um momento e lugar onde não serão interrompidos e onde as emoções possam fluir livremente. Não conte quando estiver saindo pela porta ou antes de dormir. Dê espaço para reagirem. Algumas crianças vão chorar. Algumas vão ficar com raiva. Algumas vão ficar muito quietas. Algumas vão fazer perguntas imediatamente, e outras não dirão nada por dias e depois perguntarão algo completamente inesperado enquanto você faz o jantar. Todas essas respostas são normais.

Tranquilize-os sobre as coisas com que mais vão se preocupar. Crianças, especialmente as mais novas, vão se perguntar imediatamente: quem vai cuidar de mim? Eu vou ficar bem? Isso é minha culpa? Responda a esses medos diretamente. Diga que continuarão sendo cuidados, que suas rotinas ficarão tão normais quanto possível, e que absolutamente nada que fizeram ou disseram causou a doença.

Não prometa que tudo vai ficar bem. Esse é um dos conselhos mais dolorosos, mas é importante. As crianças precisam confiar em você, e fazer promessas que você não pode garantir pode prejudicar essa confiança se as coisas não saírem como planejado. Em vez de "eu vou ficar bem", tente: "Os médicos estão fazendo tudo que podem, e eu vou lutar com toda a minha força. Não sabemos exatamente o que vai acontecer, mas eu sempre vou te contar a verdade, e você sempre pode vir até mim com perguntas."

Deixe-os ver que tudo bem ficar triste. Se você chorar durante essa conversa, isso não é uma falha — é um modelo de honestidade emocional. As crianças aprendem a lidar com emoções difíceis observando os adultos em suas vidas. Quando veem você expressar tristeza e depois se recompor, aprendem que sentimentos grandes são sobrevivíveis.

Após a conversa, fique atento a mudanças de comportamento nas semanas seguintes. Algumas crianças processam abertamente e outras internalizam. Se seu filho se tornar incomumente grudento, agressivo, retraído ou começar a ter problemas na escola, não está se comportando mal — está de luto. Um terapeuta infantil especializado em famílias lidando com doenças pode ser enormemente útil durante esse período.

Essa conversa não é um evento único. É o início de um diálogo contínuo. Mantenha a porta aberta. Converse com seus filhos regularmente. Deixe-os saber que podem perguntar qualquer coisa, sentir qualquer coisa, e que seu amor por eles é a única coisa que o câncer não pode tocar.

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