O momento que você temia chegou, e nada poderia realmente ter te preparado. Seja a partida do seu ente querido após uma longa batalha ou de forma mais repentina do que o esperado, os primeiros dias após a perda frequentemente parecem como se estivesse se movendo através de uma névoa espessa. O tempo parece se esticar e comprimir de formas estranhas. Você pode se pegar esquecendo de comer, incapaz de dormir, ou dormindo muito mais do que o normal. Tudo isso é normal. Tudo isso é seu corpo e sua mente tentando absorver algo que parece impossível de segurar.
Você pode se sentir entorpecido, e esse entorpecimento pode te assustar. Pode se perguntar por que não está chorando mais, ou por que não consegue parar de chorar. Algumas pessoas sentem um estranho alívio — especialmente se o ente querido sofreu muito — e então sentem culpa por sentir alívio. Outros sentem raiva, ou um vazio oco, ou uma necessidade desesperada de se manter ocupado para não ter que sentar com o silêncio. Não existe resposta emocional correta à perda. O que quer que você esteja sentindo agora é válido, e não define o quanto amou a pessoa que perdeu.
As demandas práticas desses primeiros dias podem parecer tanto avassaladoras quanto estranhamente estabilizadoras. Há ligações a fazer, providencias a tomar, pessoas chegando à sua porta. Algumas pessoas encontram conforto em ter tarefas para focar. Outras sentem ressentimento de que o mundo espere que funcionem quando seu mundo acabou de despedaçar. Se puder, deixe alguém de confiança ajudar a carregar o peso logístico. Você não precisa fazer tudo sozinho, e aceitar ajuda não é sinal de fraqueza — é um ato de sobrevivência.
Pessoas ao seu redor vão dizer coisas que pretendem confortar mas podem não funcionar bem. "Está em um lugar melhor." "Pelo menos não está mais sofrendo." "Você precisa ser forte." Essas palavras geralmente vem do amor, mesmo quando doem. Você não deve a ninguém uma resposta específica. Não precisa performar o luto de um jeito que deixe os outros confortáveis. Um simples "obrigado" é suficiente se é tudo que você tem.
Nesses primeiros dias, seja tão gentil consigo mesmo quanto seria com alguém que ama profundamente — porque é exatamente isso que você é agora: alguém que merece ternura. Beba água. Deite mesmo que não consiga dormir. Deixe as lágrimas virem quando vierem. E saiba disto: você não precisa descobrir como viver sem essa pessoa hoje. Só precisa passar por este momento, e depois o próximo. Isso é suficiente.