Voltar para Perda e Luto
Perda e Luto6 min de leitura

Voltando Lentamente à Vida Após a Perda

Reengajar-se com o mundo após perder alguém pode parecer desorientador e até culpado. Seguir em frente não é a mesma coisa que esquecer.

Chega um momento — pode ser semanas ou meses após a perda — em que você se pega rindo. Ou aproveitando uma refeição. Ou notando a beleza de um pôr do sol. E então, quase imediatamente, uma onda de culpa desaba. Como você pode sentir algo bom quando a pessoa se foi? Como o mundo ousa continuar girando? Esse momento é uma das partes mais confusas e dolorosas do luto, e também uma das mais universais.

Voltar à vida depois de perder alguém para o câncer não é um evento único. Não é uma porta que você atravessa e fecha atrás de si. É mais como a maré — você avança um pouco, depois é puxado de volta. Alguns dias você se sente quase como antes, e outros o luto é tão cru e consumidor quanto era no início. Esse vai e vem não é sinal de que algo está errado com você. É o ritmo natural de um coração aprendendo a carregar amor e perda ao mesmo tempo.

Você pode sentir pressão — dos outros ou de si mesmo — para "voltar ao normal". Mas a verdade é que não há como voltar à pessoa que era antes da perda. Essa pessoa existia em um mundo onde seu ente querido estava vivo. Você está se tornando alguém novo agora, moldado tanto pelo amor que compartilharam quanto pela dor da ausência. Essa transformação não é traição. É um testemunho de o quanto a pessoa importou para você.

Pequenos passos são suficientes. Talvez hoje você dê uma curta caminhada. Talvez amanhã ligue para um amigo que andou evitando. Talvez semana que vem volte ao trabalho, mesmo que consiga apenas algumas horas. Nenhum desses passos precisa parecer natural ou confortável. Só precisam acontecer no seu ritmo, nos seus termos.

Algumas pessoas acham que se engajar em algo significativo — trabalho voluntário, criar arte, entrar em um grupo de apoio, ou canalizar sua experiência para ajudar outros — dá um senso de propósito durante um tempo que pode parecer sem sentido. Não se trata de substituir o ente querido ou preencher o vazio que deixaram. É sobre descobrir que sua capacidade de amar e se conectar não morreu com eles.

Seguir em frente não significa esquecer. Não significa que a dor não era real ou que o ente querido não importava. Significa que você é corajoso o suficiente para carregar a memória dele para um futuro que ele teria desejado para você — um futuro com momentos de paz, conexão e até alegria. Escolher viver, mesmo que de forma imperfeita, mesmo que relutantemente, é uma das coisas mais corajosas que uma pessoa enlutada pode fazer.

healingmoving-forwardresilienceguilt

Você não precisa carregar isso sozinho.

O luto não é algo para ser consertado ou apressado. Mas ter apoio — alguém que ouve, que entende — pode fazer toda a diferença.