Se você perdeu alguém para o câncer, provavelmente já ouviu alguma versão dessas frases bem-intencionadas mas profundamente inúteis: "Já faz seis meses — você não está melhorando?" "Você deveria estar seguindo em frente." "Ele não ia querer que você ficasse triste para sempre." Essas palavras, por mais gentis na intenção, carregam uma mensagem implícita de que o luto tem prazo de validade — de que em algum ponto você deveria "ter superado". Mas o luto não funciona assim, e qualquer pessoa que realmente perdeu alguém sabe disso nos ossos.
A ideia de que o luto segue um cronograma organizado — negação, raiva, barganha, depressão, aceitação — foi profundamente enraizada em nossa cultura, mas nunca foi concebida como prescrição. O luto real é bagunçado. Espirala. Te embosca no corredor do supermercado dezoito meses depois. Te permite ter uma boa semana e depois te derruba numa terça-feira qualquer. Isso não é falha de cura. É simplesmente como o amor se parece quando perdeu seu destino.
Você pode perceber que algumas pessoas na sua vida ficam impacientes com seu luto. Podem parar de perguntar como está. Podem mudar de assunto quando você menciona o ente querido. Podem sugerir, gentilmente ou não, que é hora de seguir em frente. Isso diz muito mais sobre o desconforto deles com o luto do que sobre o seu processo. Não deixe o desconforto dos outros ditar o ritmo da sua cura.
Se permita, plena e incondicionalmente, fazer luto pelo tempo que precisar. Se precisar chorar no aniversário cinco anos depois, chore. Se precisar falar sobre eles no jantar dez anos depois, fale. Se a visão da flor favorita dele ainda faz seu peito doer vinte anos depois, deixe doer. Essa dor não é uma ferida que não curou — é o pulso contínuo de um amor que se recusa a morrer.
Ao mesmo tempo, se dar permissão para fazer luto também significa se dar permissão para curar. Significa se permitir momentos de leveza sem interpretá-los como traição. Significa aceitar que você pode carregar tanto tristeza quanto alegria, às vezes na mesma respiração. Curar não significa que a dor se foi. Significa que você encontrou uma forma de carrega-la que permite continuar vivendo.
Não existe linha de chegada para o luto. Não existe ponto em que alguém vai te entregar um certificado dizendo que sofreu o bastante e agora está oficialmente curado. O que existe, eventualmente, é uma expansão gradual — seu mundo, que se contraiu tão violentamente ao redor do ponto de perda, lentamente começa a se abrir de novo. Não porque a perda diminui, mas porque você se torna grande o suficiente para sustentar tanto a perda quanto a vida que continua ao redor. Confie nessa expansão. Não é traição ao seu amor. É testemunho da sua resiliência.