Quando uma família perde alguém para o câncer, os adultos frequentemente focam tão intensamente no próprio luto — e em proteger as crianças da dor — que podem involuntariamente deixar os membros mais jovens da família sem o apoio que precisam. As crianças sentem a perda profundamente, mesmo quando não têm palavras para expressá-la. E o jeito como as ajudamos a navegar essa experiência pode moldar a relação delas com o luto, com o amor e com suas próprias emoções pelo resto da vida.
A coisa mais importante que você pode fazer por uma criança enlutada é ser honesto. Crianças são notavelmente perceptivas. Percebem quando algo está errado, e quando adultos escondem a verdade ou usam eufemismos vagos — "a vovó foi embora" ou "perdemos o tio Davi" — isso pode criar confusão e ainda mais ansiedade. Use linguagem clara e adequada à idade. Para crianças pequenas, pode dizer: "O corpo da vovó parou de funcionar por causa do câncer, e ela morreu. Isso quer dizer que não vamos mais poder vê-la ou falar com ela, mas podemos sempre lembrar dela e amá-la."
Crianças frequentemente fazem luto em rajadas. Uma criança pode chorar intensamente por dez minutos e depois pedir para brincar. Isso não significa que não está afetada — significa que processa o luto em doses menores. Não interprete a capacidade de brincar ou rir como sinal de que está "bem". E não force conversas prolongadas sobre sentimentos se não estiver pronta. Deixe que venha até você, e garanta que a porta esteja sempre aberta.
Fique atento a mudanças de comportamento em vez de esperar expressões verbais de luto. Uma criança enlutada pode se tornar grudenta, ansiosa ou incomumente quieta. Pode regredir a comportamentos anteriores — fazer xixi na cama, chupar o dedo, querer dormir na sua cama. Pode agir de forma rebelde na escola ou se retrair dos amigos. São todas expressões normais de luto em crianças. Responda com paciência e tranquilidade, não com disciplina. Não estão se comportando mal — estão sofrendo.
Inclua as crianças nos rituais de luto quando apropriado. Participar de um velório ou cerimônia, ajudar a criar um livro de memórias, fazer desenhos para a pessoa que morreu, ou acender uma vela juntos — esses rituais dão às crianças um senso de participação e pertencimento durante um tempo que pode parecer caótico e assustador. Sempre dê a elas a escolha de participar, e nunca as force a um ritual que as apavore.
Tranquilize-os repetidamente de que a morte não foi culpa deles. Crianças pequenas frequentemente se envolvem em pensamento mágico e podem secretamente acreditar que algo que disseram, fizeram ou desejaram causou a morte. Precisam ouvir, claramente e mais de uma vez, que nada que fizeram causou o que aconteceu, e que as pessoas que as amam vão cuidar delas.
Finalmente, deixe seus filhos verem você fazer luto. Você não precisa ser um pilar de estoicismo para ser um bom pai ou mãe neste momento. Quando as crianças veem um adulto de confiança chorar, falar sobre a tristeza, e depois eventualmente encontrar momentos de conforto e até risada, elas aprendem que o luto é sobrevivível. Aprendem que é seguro sentir seus sentimentos. Aprendem que o amor perdura mesmo após a perda. E essas são algumas das lições mais importantes que você jamais ensinará.