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Perda e Luto7 min de leitura

Perdendo um Pai ou Mãe para o Câncer: O Luto que Remodela Seu Mundo

Perder um pai ou mãe para o câncer muda tudo — sua identidade, sua sensação de segurança, seu lugar no mundo. Esse luto merece ser honrado.

Existe algo singularmente desorientador em perder um pai ou mãe. Não importa a idade quando acontece, não importa o quão preparado pensava estar, a morte de um pai ou mãe por câncer reorganiza algo fundamental dentro de você. A pessoa que estava lá antes de você ter linguagem, antes de ter memória, antes de ter um eu — essa pessoa se foi. E de repente o mundo parece menos seguro do que no dia anterior.

Perder uma mãe para o câncer frequentemente parece como perder seu lar emocional. Mesmo que o relacionamento fosse complicado, mesmo imperfeito, existe um tipo particular de conforto em saber que sua mãe existe no mundo. Quando ela se vai, muitas pessoas descrevem se sentir à deriva, como se um cabo invisível tivesse sido cortado. A pessoa que te conhecia há mais tempo, que lembrava dos seus primeiros passos e medos de infância, que te carregou antes que pudesse se carregar — essa memória viva se foi.

Perder um pai para o câncer pode parecer como perder sua fundação. Pais são frequentemente associados a força, proteção e estabilidade, tenham ou não cumprido perfeitamente esses papéis. Quando um pai morre, muitas pessoas descrevem uma consciência repentina e assustadora da própria mortalidade. A geração acima de você ficou mais rarefeita, e você está mais perto da frente da fila do que antes.

Se perdeu ambos os pais, pode estar vivenciando o que alguns chamam de órfão adulto. É um termo que pode soar quase absurdo quando aplicado a um adulto, e mesmo assim captura algo real. Existe uma solidão específica em não ter mais pais no mundo. Ninguém para ligar num domingo à tarde que é obrigado pelo sangue e pelo amor a se importar com os detalhes do seu dia.

O câncer complica esse luto porque frequentemente significa que você assistiu seu pai ou mãe se deteriorar. A pessoa que era forte se tornou frágil. A pessoa que cuidava de você precisou que você cuidasse dela. Essa inversão de papéis é uma das experiências emocionalmente mais desafiadoras que uma pessoa pode enfrentar.

Você também pode estar fazendo luto pelo relacionamento que nunca teve. Se a doença impediu que você resolvesse conflitos antigos, ouvisse coisas que precisava ouvir, ou dissesse coisas que precisava dizer, esse assunto inacabado se torna parte do seu luto.

Não existe cronograma para isso. Não existe estágio em que deveria estar "superado". Você carregará essa perda de forma diferente à medida que os anos passam — alguns anos mais leve, outros mais pesado. Aniversários, feriados, marcos, momentos em que instintivamente pega o telefone antes de lembrar — continuarão chegando e continuarão doendo. Isso não é falha de cura. É a realidade contínua de amar alguém que moldou a própria fundação de quem você é.

Seu pai ou mãe importou. Seu luto importa. E o que quer que esteja sentindo agora — raiva, entorpecimento, culpa, alívio, devastação, ou todos emaranhados — é a coisa certa a sentir.

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Você não precisa carregar isso sozinho.

O luto não é algo para ser consertado ou apressado. Mas ter apoio — alguém que ouve, que entende — pode fazer toda a diferença.